quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Professor 40h - Tempo, planejamento, formação,qualidade

  • Defendo o concurso para o magistério com carga horária de 40h e 1/3 deste tempo reservado para o planejamento e formação, conforme a Lei  11.738/2008.
  • Defendo que o professor com carga horária diferente possa migrar para o regime de 40h caso queira. 

Um projeto exitoso naturalmente é resultado de uma ação bem planejada, pensada em todos os detalhes, a docência é por força da função complexa, identificar avanços e dificuldades na aprendizagem e preparar ações para garantir que o processo de ensino e aprendizagem alcance seu objetivo não é tarefa fácil.


Erroneamente governos têm formatado concursos onde todo o tempo está reservado para a ação  em sala de aula. Sem diálogo,sem pesquisa, sem reflexão sobre a prática, sem trocas de experiências, não haverá projeto pedagógico bem sucedido, os Conselhos de Classe e as Reuniões Pedagógicas não são suficientes para debater, avaliar e planejar a ação docente e a aprendizagem. O professor é por natureza da função um pesquisador mas em que momento ele exerce essa pesquisa? Qual é o tempo reservado para esta tarefa que dá qualidade para as aulas?

Dentre as atribuições do professor estão as ações de planejamento, execução deste planejamento, avaliação com vistas a correção de rumos, replanejamento e escrituração da documentação escolar, o tempo é imprescindível para que cada etapa do processo seja bem executada. Dentre os salários das profissões de nível superior, o do magistério é um dos menos valorizados, geralmente os docentes trabalham em mais de uma escola para complementar a renda. Garantir que o docente atue em apenas uma escola favorece o envolvimento desse profissional com a proposta pedagógica da escola. 

Investir na reserva de tempo para formação e planejamento é investir na qualidade do trabalho desenvolvido na sala de aula e consequentemente em melhores resultados na aprendizagem.

Municipalizar, construir novas escolas,adequar o número de alunos por sala

  • Ampliar o número de escolas na rede através da construção de novos prédios e da municipalização de CIEPs 
Temos uma vasta bibliografia que sinaliza para a importância de termos um número adequado de alunos em sala de aula no intuito de garantir uma aula de qualidade e também cuidar da saúde vocal dos professores, posso citar apenas como exemplo a LDB, as orientações do Conselho Nacional de Educação e as próprias portarias de matrículas. Quantas vezes saímos de sala de aula sem voz? Pegamos licença médica? Quantos colegas desenvolveram problemas nas cordas vocais? Um professor afastado também gera prejuízos a municipalidade,outro profissional terá que ser pago para fazer o mesmo trabalho.

É um desafio para a maioria das cidades da Baixada garantir o direito a educação para todas as crianças e também garantir um número adequado de alunos em sala de aula.

Mesmo o esforço do governo Bornier que construiu várias escolas em quatro anos ( trabalho no município desde 1999 e este é o governo que mais inaugurou escolas ) não foi suficiente para cobrir a defasagem de oferta de vagas em algumas regiões, defasagem esta deixada por governos anteriores.


Um caminho interessante além da construção de novas escolas, é a municipalização de CIEPs, muitos desses prédios têm várias salas ociosas, tem CIEP que funciona apenas em um turno, considerando que as verbas federais são baseadas no número de alunos matriculados, é até oneroso para o Estado manter esses prédios com poucos alunos.

Em muitas regiões vivemos o paradoxo de escolas municipais cheias enquanto as estaduais estão vazias.

Ampliação do número de escolas em horário integral


  • Ampliar o número de escolas onde as crianças permaneçam no mínimo 7h por dia 


Em países desenvolvidos os alunos permanecem na escola no mínimo sete horas por dia, a escola não deve ser o lugar onde só se aprende português , Matemática, Ciências... a escola deve ser o espaço onde além dessas disciplinas tão necessárias, também se aprende a conviver com o outro, se aprende o esporte, o teatro, a dança, a música..., ou seja, é preciso dar a oportunidade para as crianças para que estas descubram os seus talentos. Vimos,por exemplo, nas olimpíadas as dificuldades de um país com cerca de 200 milhões de habitantes e que não aparece entre as potências do esporte, a superação de atletas que mesmo sem incentivos superaram barreiras.


Um outro aspecto a ser considerado é que muitas famílias precisam trabalhar e deixar os filhos em casa, essas crianças quando não estão na escola,podem estar na rua sem a supervisão de um adulto,estar na escola os afasta de  vários perigos desde abusos a contato com drogas.

A criança que hoje é negligenciada pela sociedade amanhã não respeitará o contrato social.

Por mais creches

Ampliar o número de creches, inclusive usando o espaço dos CIEPs para construção de prédios voltados ao atendimento das crianças de zero a três anos

Em nossa sociedade capitalista, já há muito tempo foi abandonada a figura da mãe que fica em casa cuidando dos filhos, hoje, se a família pretende oferecer conforto e qualidade de vida aos seus filhos, os adultos precisam trabalhar, muitas mães são as únicas mantenedoras da família e vivem o dilema de ter que ir trabalhar, mas não tem com quem deixar os filhos. A constituição federal de 1988 garante a educação em seu artigo 205 e mais especificamente o direito a creche em seu artigo 208 inciso IV , a LDB, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Plano Nacional e municipal de Educação também apontam para a necessidade de garantir o direito a creche.

 Precisamos pagar essa dívida social, garantir e efetivar o direito a creche proporcionando as famílias crescimento, educação e qualidade de vida.